Setor químico tem primeira emissão verde com Sabará

“Uma pequena emissão de debêntures fechada na semana passada trouxe algumas boas novas para o mercado de capitais local. A Sabará, empresa química que fornece insumos para o setor de saneamento e tratamento de água, conseguiu captar R$ 20 milhões com uma emissão verde, ou seja, títulos de dívida que levantam recursos para projetos com benefícios ambientais.

Foi a primeira vez que uma empresa do setor químico no país conseguiu atender a critérios verdes. Além disso, a operação da Sabará indica uma abertura para emissões com selo ambiental de empresas de menor porte no mercado local de dívida.

Para a Sabará, a emissão teve um significado adicional. Foi a primeira vez que a empresa conseguiu acessar o mercado de capitais ou simplesmente obter um crédito por longo prazo, no caso, de cinco anos. Ulisses Matiolli Sabará, um dos controladores da empresa, tem uma lista interminável de histórias sobre a dificuldade de obter capital de longo prazo. “Durante 20 anos, pelo menos, nós, uma empresa média e bem estruturada, vimos poucas ou nenhuma porta aberta para captar recursos a custos acessíveis. O dinheiro disponível está alocado em grandes empresas ou em startups”, diz ele. “Agora tivemos a grata surpresa de encontrar capital alinhado com os nossos valores”, diz. As debêntures pagarão uma taxa considerada elevada, de CDI mais 6,25% ao ano.

A debênture da Sabará recebeu o selo verde da Sitawi. “Foi a primeira emissão verde local do setor industrial”, diz Gustavo Pimentel, sócio da Sitawi. “Finalmente estamos chegando em tíquetes menores e fora do setor de energia, que domina esse mercado.” Outro papel de menor tíquete emitido neste ano foi o da Athon Energia, no valor de R$ 40 milhões. Houve outras quatro emissões com selo verde no ano no país até agora: AES Tietê (R$ 820 milhões), Taesa (R$ 210 milhões), Neoenergia (R$ 1,3 bilhão) e Celulose Irani (R$ 505 milhões). Segundo Pimentel, no caso da Sabará, além da performance ambiental da nova planta, que opera com energia renovável, o produto em si foi relevante na concessão do selo. “Fora isso, há o benefício do fornecimento local que vai reduzir a importação e as emissões de carbono decorrentes.”

Leonardo Teixeira, sócio da Novero, diz que o prêmio mais salgado está relacionado ao fato de a Sabará nunca ter acessado o mercado antes. A tendência, acredita, é que as taxas caiam bem nas próximas emissões. A emissão é garantida por dois contratos de longo prazo com empresas de saneamento.”

Veja a matéria completa